Do frenesi da agência livre ao prazo final de trocas: um panorama do mercado da NBA
O ciclo da NBA é implacável e, se a atenção global esteve voltada para o domínio norte-americano nas Olimpíadas de Paris, nos bastidores da liga o jogo de xadrez começou muito antes, especificamente na abertura da agência livre em 30 de junho. Agora, com a temporada em pleno andamento e o prazo final de trocas de 5 de fevereiro batendo à porta, o cenário se desenha entre as movimentações que já reconfiguraram forças e as necessidades urgentes de quem quer brigar pelo título.
As peças que já mudaram o tabuleiro
O pontapé inicial desse novo desenho da liga veio com trocas impactantes. O Oklahoma City Thunder, sempre estratégico, garantiu Alex Caruso, um dos defensores mais cobiçados do mercado, vindo do Chicago Bulls. Em contrapartida, Josh Giddey seguiu para a franquia de Illinois. Foi uma troca de necessidades: enquanto o Thunder adicionou solidez defensiva, os Bulls encontraram em Giddey um jovem talento que precisava de novos ares, já que havia perdido espaço na rotação de OKC para Shai Gilgeous-Alexander e Jalen Williams. Os números de Caruso na última temporada — com aproveitamento de quase 47% nos arremessos — justificam o investimento, enquanto Giddey busca retomar o protagonismo.
Talvez o movimento mais midiático tenha sido a saída de Paul George dos Clippers para o Philadelphia 76ers. O contrato gigantesco de quatro anos, na casa dos US$ 212 milhões, reflete a melhor temporada de arremessos da carreira do ala. Para os Sixers, que já contam com Joel Embiid e Tyrese Maxey, George chega como a “cereja do bolo” para tentar levar a equipe além nos playoffs. Para os Clippers, fica o gosto amargo de ter hipotecado o futuro — cedendo escolhas de draft e o próprio Shai anos atrás — sem ter alcançado sequer uma final de NBA com o astro.
Outra mudança de ares significativa envolveu o fim de uma era no Golden State Warriors. Os “Splash Brothers” não existem mais como dupla, já que Klay Thompson assinou com o Dallas Mavericks. A aposta no Texas é que a experiência e o arremesso de Klay sejam o complemento ideal para Luka Doncic e Kyrie Irving, que bateram na trave nas últimas finais contra os Celtics. Falando em veteranos, Russell Westbrook também arrumou as malas, desembarcando no Denver Nuggets para somar forças a Nikola Jokic e Jamal Murray.
Enquanto isso, as potências estabelecidas optaram pela continuidade. O atual campeão Boston Celtics manteve seu núcleo vencedor, renovando com Jayson Tatum e Derrick White. O mesmo caminho foi seguido pelo Cleveland Cavaliers com Donovan Mitchell e pelos Lakers, que garantiram a permanência de LeBron James por mais dois anos, apostando na estabilidade.
O relógio corre: Detroit e Spurs no centro das atenções
Com esse cenário de início de temporada estabelecido, os olhares agora se voltam para o futuro imediato. O dia 5 de fevereiro marca o limite para as trocas, e a temperatura está subindo. Já vimos Trae Young mudar de endereço, e os rumores em torno de nomes como Ja Morant e Anthony Davis não param de crescer. No entanto, algumas equipes em ascensão precisam tomar decisões difíceis para não desperdiçarem campanhas promissoras.
O Detroit Pistons surge como uma das grandes surpresas, liderando o Leste e ostentando a segunda melhor defesa da liga. Contudo, ofensivamente, o time deixa a desejar. Desde o início de janeiro, o ataque patina, e a dependência de Cade Cunningham é evidente. O problema é matemático: quando as defesas adversárias congestionam o garrafão contra Cunningham, falta espaçamento. O time precisa urgentemente de gatilhos no perímetro.
Nesse contexto, o contrato expirante de Tobias Harris, avaliado em mais de US$ 26 milhões, torna-se uma moeda de troca valiosa. Nomes como Lauri Markkanen, Michael Porter Jr. ou Trey Murphy seriam encaixes perfeitos para dar a dimensão ofensiva que falta. Seria um balde de água fria ver uma temporada histórica dos Pistons terminar precocemente nos playoffs por falta de ousadia na hora de reforçar o ataque.
A ousadia necessária no Oeste
Situação semelhante vive o San Antonio Spurs. O time está muito à frente das projeções iniciais, o que exige uma postura agressiva da diretoria. Para competir de igual para igual com potências jovens como o Oklahoma City Thunder, os Spurs precisam de um ala grande, com presença física e técnica.
Ficar parado, apostando apenas em soluções de curto prazo ou “pagar barato”, não parece ser a estratégia correta para quem tem Victor Wembanyama e um futuro brilhante pela frente. A “temporada de trocas de 2025” exige coragem, e tanto Detroit quanto San Antonio têm os ativos e a motivação para irem com tudo até o fechamento da janela. Resta saber quem terá a audácia de apertar o gatilho.