Sobrevivência em Londres e o Xadrez de Arne Slot: O Caminho do Aston Villa rumo à Champions

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O apito final no Gtech Community Stadium sacramentou um alívio imenso para o Aston Villa. A vitória magra por 1 a 0 sobre o Brentford, na tarde de 8 de março, não foi um espetáculo de encher os olhos, mas teve o peso exato de três pontos na briga pelo topo da tabela. A partida já começou com aquele roteiro de teste cardíaco: logo aos cinco minutos, Morgan Rogers chegou a balançar a rede após um contra-ataque rápido, mas o VAR flagrou Ollie Watkins em posição irregular no passe em profundidade de Jacob Ramsey, frustrando a comemoração visitante.

A partir daí, o que se viu foi um Brentford mordido e pressionando de todos os lados, mesmo com a posse de bola bem dividida durante o confronto. A equipe da casa empilhou escanteios e castigou a entrada da área do Villa. A defesa precisou se desdobrar em chutes de Yoane Wissa e Kevin Schade, enquanto a trave salvou os Villans em um arremate venenoso de Keane Lewis-Potter pelo lado esquerdo. Christian Nørgaard também tentou de tudo, tendo uma sequência de finalizações bloqueadas por uma zaga que jogou no limite da intensidade.

Foi um jogo físico, truncado, daqueles que o juiz precisa distribuir cartão para segurar os ânimos — Nathan Collins e Kristoffer Ajer pelo lado do Brentford, e Matty Cash pelo Villa, que o digam. Para absorver a pressão e esfriar o ímpeto adversário na reta final, o Villa apelou para a profundidade do seu elenco, mandando a campo nomes como Marcus Rashford, Donyell Malen e Boubacar Kamara. O Brentford respondeu com Mathias Jensen e Kim Ji-Soo, mas a muralha visitante, liderada por cortes providenciais de Axel Disasi e atuações seguras de Konsa, resistiu até os 51 minutos do segundo tempo.

Apesar de sair com a vitória fora de casa, o Aston Villa precisa virar a chave rapidamente, porque o sarrafo agora é outro. Na próxima sexta-feira, em sua penúltima partida da temporada na Premier League, o time encara o Liverpool em um confronto direto que tem tudo para definir o topo da tabela. Os Reds acabaram de ultrapassar a equipe de Birmingham, assumindo a quarta colocação. Salvo um desastre astronômico, os dois clubes parecem estar com as mãos nas vagas da próxima Liga dos Campeões, mas a briga por posição promete faíscas.

Do lado do Liverpool, a sensação é de um time que vem se arrastando até a linha de chegada desta temporada bastante turbulenta. O empate sem sal contra o Chelsea no último fim de semana ligou um alerta em Anfield. Arne Slot sabe que sua equipe precisa entregar algo diferente se quiser fechar essa era com dignidade diante de sua torcida. O golaço de Ryan Gravenberch contra os Blues foi um respiro de talento, mas o holandês terá que estar no seu auge para quebrar as linhas do Villa, que certamente vai tentar impor seu ritmo e buscar o gol na frente de sua torcida apaixonada.

O quebra-cabeça tático nos Reds

A escalação do Liverpool para sexta-feira é um prato cheio para a análise tática. No gol, a titularidade de Giorgi Mamardashvili parece certa. Com os fortes rumores colocando Alisson Becker como alvo principal da Juventus, seria até prudente poupar o brasileiro das quatro linhas, por mais melancólico que seja imaginar que ele não atue mais antes do fim da temporada. Na linha de defesa, Jeremie Frimpong deve retornar à sua posição de origem. Slot fez alguns testes usando o holandês mais avançado pelo lado direito para cobrir a ausência de Salah, mas a dinâmica do jogo pede Frimpong compondo a linha defensiva ao lado de Ibrahima Konaté, Virgil van Dijk e Milos Kerkez.

O setor de criação do Liverpool ganha um reforço providencial. Florian Wirtz está totalmente recuperado da virose que o tirou do clássico contra o Chelsea e deve assumir a responsabilidade criativa da equipe. Com o retorno do alemão e a titularidade de Isak no ataque, Gravenberch recua naturalmente no gramado, compondo a trinca do meio-campo com Alexis Mac Allister e Dominik Szoboszlai. O húngaro, aliás, tem a faca e o queijo na mão para carimbar o título de Jogador da Temporada do clube caso entregue atuações de alto nível nesses dois últimos compromissos.

No ataque, a paciência com atuações medianas parece ter esgotado. Cody Gakpo deve esquentar o banco de reservas após mais um jogo abaixo da média, abrindo espaço para Alexander Isak finalmente ganhar uma chance desde o apito inicial. O faro de gol e a frieza do sueco são exatamente o que o Liverpool precisa para machucar o adversário cedo. Ao lado dele, o garoto Rio Ngumoha mostrou serviço suficiente e já provou que merece manter a vaga para um jogo pesado como esse.

E a situação de Mohamed Salah? O egípcio é um candidato real a retornar após o problema na coxa, mas mesmo que ele treine normalmente antes do jogo, a lógica aponta que Slot não vai arriscar jogá-lo aos leões logo de cara no time titular. O banco de reservas surge como o cenário ideal para o camisa 11, encabeçando uma lista de opções que ainda conta com Curtis Jones, Joe Gomez e Andy Robertson